O Desenvolvimento do Conceito de Cultura

Para que possamos compreender de forma contextualizada o conceito de desenvolvimento de cultura, comecemos com o primeiro antropólogo a escrever sobre o assunto: Edward Tylor – autor do livro Primitive Culture (1871). A primeira conclusão de Tylor é de que a cultura trata-se de um fenômeno natural, ou seja, sujeito à estudos e análises objetivos.

Baseado nas ciências naturais, Edward afirma que assim como a natureza tem suas leis de causa e efeito – todas de forma sequenciais e coerentes -, os sentimentos, pensamentos e ações humanas, tanto quanto sua linguagem, conhecimento, hábitos e arte, também seguem essas leis naturais de desenvolvimento e evolução.

Na segunda metade do século XIX, a humanidade não estava preparada para receber tal ideologia. O pensamento predominante era o metafísico e o teológico, que defendiam o livre-arbítrio, e as vontades e desejos sem causas.Não se importando com a opressão da época, Tylor prossegue com seu pensamento.

A natureza humana possui uma igualdade que nos dá a capacidade de estudarmos e compararmos civilizações, separando-as por níveis de desenvolvimento. Desta forma se colocava as civilizações européias em um extremo e as tribos africanas em outro. Veja que Tylor defende que a natureza desses dois povos é a mesma, o que muda é a desigualdade de seus estágios no processo de evolução cultural.

Para prosseguirmos com as teses de Edward Tylor, precisamos antes entender um pouco mais o contexto histórico e filosófico da década de 60 do século XIX. Nessa época, a Europa vivia sob a perspectiva do evolucionismo unilinear de Charles Darwin. Na mesma época,  estudiosos como Maine, Bachofen e McLennan desenvolveram estudos que defendiam a uniformidade do desenvolvimento humano. Desta forma, deduzia-se que o que uma civilização passou, as restantes também passariam. E então o etnocentrismo se acentuava com o estabelecimento de uma hierarquia cultural, onde a Europa sempre estaria em vantagem em relação às demais culturas.

Nessa mesma época, surgia o difusionismo e o relativismo cultural , que explicava e evolução humana de forma multilinear. Mas o que diferenciava Tylor de seus ‘rivais’ (Stocking e John Lubock) era a sua capacidade de avaliação e questionamento das evidências que os viajantes e cronistas coloniais difundiam.  Um exemplo disso foi sua incredulidade ao receber a afirmação de que tribos aborígenes como as que vivam no Brasil, eram totalmente disprovidas de religião.

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