Notas sobre uma comparação religiosa

Quando nos foi inicialmente proposto o tema de religião, sentamos e começamos a debater qual o caminho que seguiríamos para compor a matéria. Após uma discussão rápida dos termos e possibilidades, as ideais convergiram para uma proposta comparativa: analisar duas pessoas de crenças religiosas distintas e comparar como a religião interfere no cotidiano de cada uma delas.

Em um primeiro momento a ideia seria procurar pessoas com crenças completamente distintas, um umbandista e um mulçumano, um cristão e um budista ou algo do gênero. Porém, para enriquecermos a análise e obtermos dados comparativos mais claros, optamos por uma comparação entre dois fieis de religiões cristã protestantes, uma seita nova, adaptada ao contexto moderno e uma vertente cristã protestante tradicional, Baptista.

Para o exemplo moderno escolhemos um fiel da igreja Bola de Neve, que para o fim de preservação de sua identidade chamaremos de Rafael, estudante de direito, 27 anos, trabalha como operário em uma indústria automobilística. O entrevistado teve contato com a religião aos 23 anos, tradicionalmente sua família é católica. Por meio de um show da banda norte americana P.O.D., Rafael conheceu a Bola de Neve e passou a frequentar eventos culturais patrocinados por ela. Ao longo dos eventos, o estudante de direito passou a frequentar a igreja e absorveu seus dogmas.

A fiel tradicional entrevistada foi Rosana, 30 anos, Assistente Administrativa. Rosana teve contato com a religião na saída de um Shopping Center. Na ocasião foi abordada por alguns fieis que lhe prestaram testemunho, tocada pela situação passou a frequentar a Igreja de orientação Baptista semanalmente.

Comparando a rotina diária dos dois entrevistados pudemos perceber uma presença forte da religião em ambas, mas aplicadas de forma diferente. No cotidiano de Rafael a igreja se mantém presente nas atividades culturais que frequenta. Como a Bola de Neve patrocina muitos eventos de cunho esportivo e cultural, o contato do entrevistado com a religião é constante. Segundo o operário, os dogmas interferem pouco em seu dia-a-dia, aparecendo somente em questões polêmicas como o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Por outro lado a presença da religião na vida de Rosana é permanente na forma dogmática. A entrevistada afirma que busca seguir os dez mandamentos e viver segundo as escritoras, sendo o que a bíblia chama de “mulher virtuosa”.

O critério final da nossa comparação se deu no quesito círculo social. A fiel Bapstista afirma que praticamente todo seu grupo de amigos frequenta a igreja e que os poucos que não fazem parte da religião são constantemente expostos a testemunhos e trechos da bíblia como tentativa de convencimento. Para Rafael a situação é inversa. Ainda que tenha muitos amigos da Bola de Neve, seu círculo de amizades vai muito além. Segundo o entrevistado, ele evita forçar religião para as pessoas, mas, sempre convida seus amigos para eventos patrocinados pela igreja. Dessa forma, apresenta a religião de forma mais fácil e evita qualquer indisposição.

 “Não há quem não conheça esse fenômeno”. É assim que Charles Darwin, pai da teoria revolucionista, descreve a arte de fazer desenhos na própria pele. Popularmente conhecido como tattoo, o nome surgiu quando o navegador e explorador inglês James Cook  em 1769, desembarcou com sua tripulação  nas Ilhas Polinésias – Taiti, e perceberam que a população local andava sem roupas e cheia de desenhos na própria pele (o modo de fazer é o mesmo até hoje: uma agulha perfura a pele e injeta uma tinta preta). Em um de seus relatos, contou o  que tinha visto e as intitulou de tattoo( no idioma do Taiti, significa desenho no corpo).

Como símbolo de admiração, os marinheiros que surgiram pós capitão Cook, se tatuavam como sinal de valentia e prova de todas suas viagens pelo mundo.Mas a história vem de antes.

INÍCIO

Em 1991, foi descoberta uma múmia,de aproximadamente 5,3 mil anos de idade, com linhas azuis desenhadas na pele. Além dela, outras mais foram encontradas ao longo do tempo, também com as tattoos.

A seguir, foto da múmia da princesa  Princesa Ukok do Altai, encontrada em 1993 por arqueólogos e, hoje, exposta no Museu Nacional da República do Altai.

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Princesa Ukok do Altai, que viveu há 25 séculos.

A tatuagem possuía e ainda possui diversos significados de diferentes procedências. Para os primitivos, era usada para registrar sua cronologia e biologia. Para os nazistas, uma vez que era vista como sinônimo de poder, usavam a tatuagem como castigo, marcando os judeus para controlá-los e também ofenderem sua religião, que a proíbe. Assim como os romanos, que tatuavam seus escravos. Dessa forma também, mostravam em qual grupo pertenciam ou simplesmente uma forma de demonstrar sua personalidade.

Resumindo, visto antes como um ritual de sacrifício, rebeldia e marginalidade, a tatuagem hoje virou uma coisa própria, singular. A pessoa faz para eternizar um momento, por estética e por muitos outros motivos. -A tatuagem é uma forma de comunicação não verbal que oferece informação instantânea – Prof. Ana Matilde Pacheco Chaves (psicóloga social do Instituto de Psicologia da USP).

A seguir, a cronologia da história antiga da tatuagem:

Entre 2160 e 1994 a.C:mulheres de múmias egípcias possuíam  traços e inscrições na região do abdômen.

-Há mais de 2.400 anos:Foram encontradas múmias nas montanhas de Altais, na Sibéria, com ombros tatuados e animais reais e imaginários.

Entre 509 a.C e 27 a.C:Os imperadores romanos determinam que, para não serem confundidos com súditos mais bem afortunados, prisioneiros e escravos sejam tatuados

– 787: Sob a alegação de ser coisa do demônio, o papa Adriano I proíbe as pessoas de se tatuarem

– Entre os séculos 15 e 17: Durante a invasão da Bósnia e Herzegovina pelos turcos otomanos, os católicos tatuavam cruzes como forma de evitar ter de rezar para Alá

– 1600: Com o fim das guerras feudais no Japão, os serviços dos samurais tornaram-se desnecessários. Surge, então, a Yakuza, a máfia japonesa

– 1769: Em expedição à Polinésia, o navegador inglês James Cook nota a tradição local de marcar o corpo com tinta. Na língua local, chamam isso de “tatao”

– Entre 1831 e 1836: A bordo do HMS Beagle, Charles Darwin registra que a maioria dos povos do planeta conheciam ou utilizavam algum tipo de tatuagem

– 1891: O americano Samuel O’Reilly patenteia a máquina de tatuar. Trata-se de uma adaptação de uma invenção de Thomas Edison

COMPRAÇÃO COM O ATUAL

– Antigamente, as tatuagens eram decisões tomadas em conjunto, para marcar algo. Registrar um acontecimento, diferenciar tribos e até mesmo reconhecer logo de cara um ritual. Era uma marca de identificação, o que hoje em dia não mais necessariamente. A tatuagem se tornou algo muito individual, com um significado único e que nem sempre é feita para as pessoas verem, é algo que ela quer registrar, independente do motivo. É único. A estudante de Design, Thais Nunes, 19 anos, confirma este rumo pessoal que a tatuagem vem assumindo nos tempos de hoje.

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Todas as dez tatuagens que tem pelo corpo,  possuem um significado e completa: “Remetem a minha personalidade, as coisas pelas quais já passei, as pessoas que me marcaram e até mesmo as fases da minha vida, mesmo sendo nova! Gosto de todas elas e posso ser convicta ao afirmar que, por mais que os desenhos fiquem ultrapassados ou que a minha pele” enrugue”, eu quero mesmo que tudo isso aconteça porque quero sentir que foi tudo de verdade, pra valer mesmo…”. Quando o assunto é sociedade, Thais logo afirma que a nossa pinta-se como moderna e não preconceituosa, mas não é o que acontece.  O preconceito existe e, para algumas pessoas, isso se torna até uma barreira. Deixa claro que o caráter e a capacidade não podem ser julgados pelo visual e que ainda existem muitas pedras pela frente até conquistar o “entendimento”.

Apesar da individualidade, hoje a tatuagem se tornou algo comum, e feita muitas vezes por simples estética, sem ter um significado expressivo, mas por ter se tornado algo “cool” na sociedade.

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Jéssica Sonoda, 21 anos, estudante de negócios da moda, comenta que suas tatuagens não possuem nenhum significado, apenas uma feita na coxa que ela mesma intitulou como “ tattoo da amizade”. A estudante também possui uma tatuagem em um lugar pouco convencional, na parte lateral da cabeça e finaliza :“ Tatuei a cabeça porque quis, por gostar muito de tatuagem, da estética e que hoje no Brasil a aceitação da tatuagem está melhor. A classe média alta encara a tatuagem como uma arte. Possuem uma visão mais aberta, diferente das pessoas com poder aquisitivo baixo, que  possuem a mente mais fechada, como se quem tivesse tattoo fosse vagabundo sabe? Claro que salva suas exceções, sempre.” Muito mais que o preconceito com alguém apenas por ter tatuagem, são aqueles que julgam sem ao menos ter conhecimento sobre o que o desenho representa, ou não.

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Luciana Avanço, 19 anos, estudante de Gestão Ambiental, possui o desenho de três patas de cachorro na nuca. Muitas pessoas ao olhar, julgam por banal, um desenho que jamais faria sentido. Mas para a estudante, representa uma parte da família que a deixou. “ Essa tatuagem significa uma homenagem às minhas 3 rottweilers, cada uma tem uma importância, desde salvar a vida de alguém da família até transmitir sentimentos bons”.

SOCIEDADE X TATUAGEM

Além da visão da sociedade sobre os tatuados, como estas próprias pessoas se enxergam inseridas no ambiente em que vivem? “Uma pessoa normal. Trabalho para sustentar minha casa, minha esposa, meu filho que irá nascer. Sou apenas fisicamente ‘modificado’”; foi o que respondeu o tatuador Gabriel Bazziche, 20 anos, que, além de ter seu corpo tatuado, depende financeiramente da propagação dessa tendência.

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Gabriel afirma nunca ter sofrido qualquer tipo de preconceito explícito, porém, acredita nunca ser prioridade para ser atendido em lojas, por exemplo. Além disso, o olhar de reprovação e julgamento de algumas pessoas o incomoda: “Muitos julgam sem conhecer devido à aparência. Nunca fui desrespeitado, mas posso perceber quando as pessoas me olham diferente”.

A tatuagem é síntese de vida também para o rapper carioca Maré Martins, que transformou em poesia sua paixão por tatuagens femininas com a mistura do Hip Hop, Jazz e Bossa Nova. Com ela, surgiu o som “I Love Tattoo”, que deu origem ao nome da Mixtape.

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Maré conta que sua inspiração para este som veio de sempre estar atento a tudo ao seu redor. Por curtir muito arte urbana, ele a encara como história, e uniu isso com a sua paixão pelas mulheres tatuadas. “Acho linda essa arte em uma pele feminina e juntei o meu amor por elas com a minha vontade de fazer algo diferente e também minha indignação com o preconceito que o mercado de trabalho tem com as pessoas tatuadas.”, diz ele. Com dois CDs e mais de vinte mil cópias vendidas, o MC ainda é o dono da maior Fan Page do Facebook sobre tatuagem no Brasil, com mais 500 mil      seguidores.

Confira o som e  a página Tatuagens Femininas:

http://www.youtube.com/watch?v=FCXYHW3ktmM

http://www.facebook.com/TATTOOTATUAGENSFEMININAS?ref=ts&fref=ts

De outro lado temos quem enxergue o tatuado como muitas vezes ele imagina, Maria do Carmo Valle, 77 anos, dona de casa. Uma senhora católica, que não faz questão de se adaptar ao novo, gosta tudo do seu jeito e seu tempo, rejeita a tatuagem a qualquer custo. “Eu acho horrível, deprimente, quem usava isso era marinheiro de porto, há muitos anos… é uma coisa horrorosa, a pessoa nasce bonita e agride o corpo com isso, pra arrumar emprego é muito difícil, enfim, detesto tatuagem”. É uma visão de quem foi criada com outros costumes e valores, da qual não só a tatuagem, mas a ideia de se tatuar não faz sentido.

Religioso x Dança x Instituição Religiosa

Algo que vem quebrando paradigmas, é a dança dentro de uma instituição religiosa. Aquelas barreiras geralmente, vindo de “doutrinas”, criado pelo próprio homem, tem ficado para trás.

Hoje grandes números de instituições religiosas estão adeptos da dança. A dança, não pelo simples fato, de uma apresentação, mas afirmar com uma maneira de cultuar ao seu Deus ou deuses e assim aproximar-se à eles.

Para os católicos e evangélicos, ainda há certa dificuldade, por nem todas as igrejas aceitar a dança. Para alguns, isto, é desrespeito e para outros uma forma de “adorar” ao seu Deus. Mellany Pereira, 16 anos, estudante, afirma: “A dança é uma forma de adorar e agradecer ao meu Deus, é seguir o que a própria bíblia diz, é colocar em prática o que a palavra dEle manda, salmos 150”.

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Já para os Budistas e Espiritas, a dança é uma forma de gerar maior energia ou estabilizar esta energia com  seus deuses.

Ainda há muito que mudar, principalmente começando por cada religioso. Infelizmente nem todos tem opinião concreta, e assim não consegue enxergar além de uma apresentação aos seus deuses.

Dança e Religião: Dois aspectos que se unem para estabelecer uma cultura

A dança é uma das três principais formas de expressão da arte. Para algumas culturas ela não é de grande importância, mas para outras é fundamental.  A forma com que as pessoas enxergam esta arte pode variar de acordo com o contexto histórico no qual estão inseridos e a sociedade que fazem parte. No entanto, pode-se notar que a dança está presente em todas as culturas, de forma direta ou indireta, com propósitos diversos, assim como a religião.

A religião também abrange muitas culturas, chegando a ser, em sua maioria, a base, algo essencial e que causa grande impacto na vida dos indivíduos, que influencia em seu comportamento, na tomada de decisões e etc.

Percebemos com clareza, que estes dois tópicos, se assemelham e se unem no âmbito antropológico. Como exemplo de uma cultura religiosa que tem a dança como meio de expressão principal, podemos destacar a Umbandista.

  A Umbanda é uma religião originária do Brasil, muitas vezes, confundida com o Candomblé por suas influencias espíritas, africanas e indígenas. Seus fundamentos principais são a caridade e a ajuda ao próximo. Por suas raízes baseadas na doutrina espírita, esta cultura herdou os médiuns. Eles são capazes de se comunicar com os desencarnados e de incorporar as divindades.

 Cada uma destas divindades, chamadas de Orixás, possui uma dança específica para sua representação e reconhecimento. Vê-se aí, a importância da dança já que por influencia do povo africano, que na época não tinha domínio sob a escrita, a dança foi um meio que encontraram para preservar a sua tradição. Estas danças, geralmente, não são aleatórias, elas realizam seus movimentos com o propósito de revelar as características das entidades, como por exemplo a dança do orixá Ogum, que transmite por meio de expressão corporal que ele era um guerreiro.

Auxiliando a dança, o canto, as palmas e a utilização de instrumentos são alguns complementos para as giras (sessões de umbanda). No caso do canto, ele possui um ritmo específico, sua velocidade pode variar absorvendo energia e facilitando assim, a incorporação nos médiuns. É cantado nestes rituais, para recepcionar com louvor a chegada dos Orixás, também são feitas orações cantadas que transmitem emoção e sensação paz e purificação. As palmas também são ritmadas, proporcionando para os pontos, além da sonoridade, um auxílio na percepção dos médiuns por intermédio destas vibrações. O atabaque é um instrumento de percussão que se assemelha a um tambor e que também utiliza da vibração para estimular a sensibilidade dos médiuns nos pontos de umbanda. O instrumento faz com que ele se desligue do mundo material e entre em sintonia com o incorporado, para a incorporação. Seus toques podem ser suaves e cadenciados (renovação afetiva e amorosa); vibrantes (descarrega); sons alegres (predispostos ao bom humor).

Conforme dito anteriormente, a dança e a religião possuem significados particulares para cada um de nós, de acordo com a bagagem cultural que temos. O que para alguns pode ser apenas uma forma de entretenimento, para outros possui um significado mais aprofundado, que ligado à religião da Umbanda, por exemplo, mexe com o físico e com o psicológico, podendo entrar em um estado de transe, agindo apenas pelo subconsciente ou por interferência de uma divindade, sem qualquer controle sobre os seus movimentos. Pode-se concluir então, que a dança está diretamente relacionada à religião e vice-versa.

O Rap chegou ao Brasil em 1980, mas só ganhou força em 1984 após uma apresentação do grupo americano Public Enemy. O primeiro álbum exclusivamente brasileiro foi lançado em 1988, com o nome de “Hip Hop Cultura de Rua”, ele apresentou nomes como Thaíde e Código 13. Ainda no ano de 1988 outro álbum foi lançado e nele estavam um dos maiores grupos de rap do Brasil, os Racionais Mc’s, que atualmente completam, 24 anos de carreira.

O objetivo desta dissertação foi o de apresentar alguns aspectos fundamentais para a compreensão do processo de construção da relação entre o rap, os rappers e a periferia. Tal relação é entendida como o resultado de um processo bastante abrangente de diálogo e, por vezes, de conflito, entre alguns rappers paulistanos e outros sujeitos e instituições no tocante à própria conceituação da periferia, à ocupação de territórios da cidade de São Paulo, às visões mais comuns sobre a violência e à criminalidade e, por fim, ao papel desempenhado por estes artistas na cena pública.

Rapper é aquele cantor ou cantora que sabe fazer de suas ideias e opiniões uma rima e sabe coordenar essa rima com uma boa batida.

Na atualidade o rap está mais comercial, muitos cantores estão fazendo letras que não condizem com a ideologia estão “vendendo” a sua voz para ganhar dinheiro, muitos compositores escrevem sobre o que a burguesia quer ouvir e não a realidade da periferia.
Esses são julgados na cena de rap como “ vendidos para o sistema” e perdem a credibilidade com o seu verdadeiro público .

O rapper passa a mensagem de tudo que acontece de ruim nas favelas e através da música tenta abrir a mente daqueles que julgam o rap como música de marginal e bandido.

O RAP é manifesto através das palavras, muitas crianças da periferia mudaram seu conceito por ouvir uma letra de rap, se sentem ali representados , quando o mundo vira as costas para eles , o rap abre um novo mundo e mostra que a realidade em que eles vivem não está escondida.

Com projetos sociais, e levando música e paz às periferias, o rap nacional ganhou espaço na mídia e hoje consegue passar a manifestação por vários meios de comunicação sem limitar-se aquele tipo de público que cresceu ali, mas também quem está de fora dessa realidade, e que se identifica com a ideologia.

 

“ A quem possa interessar, a proposta é mudar
O que vem da boca, reflete sua forma de pensar
Não é apenas se vestir, investir na imagem
É traduzir, resistir, persistir na mensagem “   G.O.G

Agradecemos ao grupo da zona norte “ RUATIVIDADE “ que concedeu a entrevista de campo . (Luke e Tripa)

Essa foto foi feita no show “ As cores do som” que ocorreu no CCJ (Centro Cultural da Juventude) dia 06/10/12 . VOTE CONSCIENTE!

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Imigração e Cultura Japonesa

Religião

O Xintoísmo e o Budismo são as principais religiões no Japão. A primeira com 51,3% e a segunda com 38,3% de adeptos. A terra do sol nascente recebeu várias outras influências religiosas como: Cristianismo, Confucionismo, Taoismo. O Japão é um dos raros países no mundo onde as pessoas veneram divindades de religiões diferentes sem maiores constrangimentos; onde há capelas de uma religião no espaço sagrado de outra; ou um sacerdote de uma religião conduza cerimônias em outra religião. Essa flexibilidade e respeito pela cultura do outro pode ter sido um dos facilitadores para a integração nipônica na sociedade brasileira.

Motivos e início da imigração

No começo do século XX, o Brasil precisava de mão de obra estrangeira para as lavouras de café, enquanto o Japão, passava por um período de grande crescimento populacional. A economia nipônica não conseguia gerar os empregos necessários para toda população, então, para suprir as necessidades de ambos os países, foi selado um acordo imigratório entre os governos brasileiro e japonês.

Nos primeiros dez anos da imigração, aproximadamente quinze mil japoneses chegaram ao Brasil. Este número aumentou muito com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Pesquisas indicam que de 1918 até 1940, aproximadamente 160 mil japoneses vieram morar em terras brasileiras. A maioria dos imigrantes preferia o estado de São Paulo, pois nesta região já estavam formados bairros e até mesmo colônias com um grande número de japoneses. Porém, algumas famílias espalharam-se para outros cantos do Brasil como, por exemplo, agricultura no norte do Paraná, produção de borracha na Amazônia, plantações de pimenta no Pará, entre outras.

Contribuições

Atualmente, o Brasil é o país com a maior quantidade de japoneses fora do Japão. Plenamente integrados à cultura brasileira, contribuem com o crescimento econômico e desenvolvimento cultural de nosso país. Os japoneses trouxeram, junto com a vontade de trabalhar, sua arte, costumes, língua, crenças e conhecimentos que contribuíram muito para o nosso país. Juntos com portugueses, índios, africanos, italianos, espanhóis, árabes, chineses, alemães e muitos outros povos, os japoneses formam este lindo painel multicultural chamado Brasil.

Museu da Imigração Japonesa

Inaugurado em 18 de junho de 1978 pelo príncipe Akihito e a princesa Michiko fica localizado na Rua São Joaquim, no bairro da Liberdade em São Paulo. É idealizado como a grande realização do 70º aniversário da imigração japonesa no Brasil. A cerimônia de abertura foi prestigiada pelo então príncipe herdeiro Akihito do Japão e pelo presidente da República Ernesto Geisel.

É mantido pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social – Bunkyo, seu objetivo foi o de registrar e preservar tudo o que pudesse contar a vida dos imigrantes japoneses no Brasil.

Nele estão documentos importantes como o Tratado da Amizade Brasil/ Japão; a chegada dos primeiros imigrantes; o pós-guerra, no qual estão retratadas as mudanças da comunidade Nikkei, a vinda das empresas japonesas; a biblioteca e o acervo, que juntos somam mais de cinco mil objetos e 28 mil documentos escritos, como diários, livros, revistas, jornais, fotos relacionadas aos imigrantes japoneses.

Notas sobre Relativismo Cultural

A cultura situada em diferentes sociedades, possui lógicas próprias, fazendo com que cada uma tenha sua própria identidade. Porém, desde o início dos tempos, cada povo declara a sua cultura como padrão a ser seguido e até mesmo declarando irracionalidade nos demais. De acordo com esta reflexão distorcida, a opressão é o próximo passo.

Servindo como exemplo o período colonial, do qual os nativos/índios foram classificados como selvagens pelos portugueses, tal dedução que veio a partir da estrutura cultural dos índios. Outro exemplo seria durante o período da República do café com leite, onde a exportação do café estava em alta e o governo alegava que  Brasil precisava passar boa impressão pra o mundo; com isso deu-se início ao processo de branqueamento, do qual imigrantes europeus vinham para o país com o intuito de trabalhar nas fazendas de café. Já a população afro-brasileira(a grande maioria), foi sendo alojada em áreas de baixa estrutura, formando assim as favelas e com isso, criando uma outra cultura, sendo caracterizada pelo resto da sociedade como uma cultura inferior, por mais que seja lógica.

Cultura é tudo aquilo que envolve conhecimento, arte, crenças, costumes, leis. Hábitos ou até mesmo capacidades, adquiridos pelo homem quanto membro do meio em que está inserido.

Um sistema cultural pode ser entendido como um ato de etnocentrismo. Todos apresentam sua própria lógica, porém, cada um acredita que seu próprio sistema é o mais lógico e, portanto deve ser considerado o único correto. A coerência de um hábito cultura pode ser apenas avaliada de dentro, pois aos olhos de outro sistema seria considerado ilógico, irracional, apenas por ser diferente. Tudo que é diferente de seu costume, é errado. Um pensamento automático que não nos permite muitas vezes ter uma outra visão das coisas naturais.

Diante de uma organização social que dispõe de aparatos tecnológicos e informação dentro do nosso meio, ouvir que o sol morre no Oeste e nasce no Leste todos os dias porque “Ele volta apagado durante à noite” é quase absurdo, mas mais que absurdo, é uma noção completamente diferente de mundo, inserida em um outro ambiente cultural. Tal reflexão é lógica para uma pessoa que obtém suas conclusões a partir de uma observação direta, pura usando apenas da sensação que se tem para definir algo como lógico.

Apesar de cada sociedade ter sua própria forma de pensar e agir, não significa que nada muda em seu ambiente. Há uma série de fatores que interferem em um meio, fazendo com que a cultura de um povo seja dinâmica.

Vivemos em um mundo onde, cada classe de seres vivos possui maneiras, comportamentos, costumes, ou seja, culturas diferentes umas das outras. Considerando a comparação de uma sociedade simples, no caso das formigas saúva e uma tribo indígena, é possível afirmar que as duas possuem ritmos de evolução diferentes. Afirmação essa negativa, visto que enquanto o homem está em constante evolução por ter a capacidade de questionar seus próprios hábitos e também modificá-los, as formigas seguem o padrão de suas antecessoras, dando a impressão de estarem sempre estáticas. Uma tribo indígena por exemplo, consegue ter uma evolução, mesmo que lenta; isso porque eles estão satisfeitos com o que conquistaram e se viram perfeitamente com o que têm. Mas há suas exceções, como por exemplo a substituição que fizeram do machado de pedra(sabiam há anos a ineficácia deste) para o nosso de aço.

“Qualquer sistema cultural está num contínuo processo de modificação.” Afirmam os autores no Manifesto de aculturação, consequência de um seminário realizado na Universidade de Stanford, em 1953. Com base nessa afirmação, podemos dizer que todas as culturas de mobilizam e evoluem, sendo interna (troca de informações entre a própria sociedade) ou externamente (dinâmica com outras culturas). No primeiro, o processo de evolução é bastante lento, porém, acontecimentos históricos como catástrofes, tecnologias avançadas, o processo tende a acelerar. No segundo caso, é um mix de informações, de costumes. Uma troca entre culturas diferentes. É o mais atuante nas sociedades humanas, pois, sem troca de informações, nenhuma cultura é capaz de se desenvolver apenas com as trocas internas.

As mudanças culturais provenientes de causas externas constituem-se as mais relevantes do ponto de vista da interferência que exerce dentro de determinada sociedade, pois a ideia de existir um sistema cultural que receba apenas influência interna é quase inexistente, pois para isso seria necessário considerar que um grupo viva no total isolamento.  Devido a sua importância e grau de interferência, foi criado o conceito de aculturação.

Tanto as grandes quanto as mais sutis interferências estão ligadas ao caráter dinâmico da cultura, mas para entender o grau de influência é interessante que se faça o exercício de observar as pequenas mudanças, de modo que por um momento deixemos de lado as grandes transformações ocorridas nos campos da política e tecnologia.

Pequenas mudanças como o simples fato de um jovem nos dias de hoje não ser capaz de compreender todo o ritual que envolvia um baile na década de 50, onde o rapaz precisaria atravessar o salão e convidar a senhorita para dançar, constitui um claro exemplo de como as gerações são diferentes umas das outras.

Muitas coisas mudaram da segunda metade do século passado aos dias de hoje, sendo possível ver uma jovem fumar em público sem que seja hostilizada ou taxada de subversiva nos dias atuais, muito diferente do que ocorria com as mulheres daquele tempo. É por esse motivo que o tempo representa parte importante na observação das interferências e transformações culturais.

Toda mudança passa por um momento em que enfrenta resistência, pois para que jovens mulheres possam fumar sem constrangimento hoje em dia, foi preciso que antes delas outras mulheres tivessem coragem de suportar forças contrarias, tais como preconceito e qualquer outra forma de discriminação.

Devido ao fato do Homem ser capaz de questionar a sua realidade, as sociedades na grande maioria das vezes “são palcos do embate entre as tendências conservadoras e as inovadoras.” Já que sempre existe uma resistência a mudanças de costumes e hábitos culturas.

Sendo assim, os sistemas culturais estão em constante mudança, e compreender essa dinâmica é importante para evitar preconceitos e conflitos entre diferentes gerações.  Não só entender as transformações externas é importante observar as transformações que acontecem internamente, só assim é possível lidar com elas sem grandes prejuízos.

 Para uma compreensão completa do tema, recomendamos este vídeo:

A Cultura interfere no plano Biológico

Segundo o livro “Cultura um conceito Antropológico” escrito por Roque de Barros Laraia, a cultura interfere em nossas vidas tanto positivamente, quanto negativamente, em vários aspectos, inclusive no plano biológico. Ao contrário do etnocentrismo, temos a indiferença que se manifesta quando um grupo ou indivíduo perdem a crença em certos costumes e valores, perdendo a motivação de se manterem vivos e unidos. Alguns exemplos são como as dos africanos, que foram forçados a deixar as suas terras, e tendo que acostumar se com outros costumes, tipo físicos, línguas totalmente diferentes, e acabaram perdendo suas motivações de viver, cometendo suicídio e definhando pelo mal chamado de banzo (saudade). E os Kaingang (tribo indígena) que aconteceu algo semelhante, em torno de 1912 quando perdeu uma parte de seus membros, devido seu território ter sido invadido pelos construtores da Estrada de Ferro Noroeste.

A cultura não só influi o comportamento de um indivíduo, mas como também sua fisiologia através de sua forma de pensar. Deparar-se com uma maneira de agir ou uma cultura diferenciada pode acarretar em apatia, desestímulo, falta de emoção e entusiasmo e até no abandono de sua crença, que geralmente é o que mantem o indivíduo vivo. A cultura define o que o ser é, e, muitas vezes, é tudo o que ele tem, é a razão de sua existência.

Trazendo este tema para a nossa atualidade, acreditar que beber leite e consumir manga em seguida faz mal para o organismo, acaba por influenciar as pessoas a não ingerirem esta combinação por julgar que isto realmente iria lhes causar algum malefício, ainda que tenham conhecimento das comprovações cientificas. Sentir fome ao meio dia é outro comportamento determinado pela cultura, pois ainda que se tenha comido bastante e pouco tempo antes, sente-se fome na “hora do almoço”.

Como visto anteriormente, o comportamento das pessoas dentro de uma sociedade, é condicionado por sua cultura. Uma criança não nasce agindo de determinada forma por questões genéticas ou hereditárias, mas sim, porque reproduz o que as pessoas de sua convivência realizam. Em relação às questões biológicas, a intervenção da cultura é direta, podendo definir questões sobre a vida e a morte.

         

    Os indivíduos participam diferentemente de sua cultura

 

Os indivíduos não participam de uma forma padronizada em sua cultura, vários fatores são levados em consideração, como sexo, idade e etc. Portanto, ninguém é capaz de participar integralmente de sua cultura.

Em algumas sociedades a mulher é submissa ao homem, por exemplo, restringindo sua aptidão a realizar certas tarefas. Voltando alguns anos no tempo, também era da cultura brasileira, manter as mulheres cuidando da casa enquanto os homens é que saíam para trabalhar fora. Em muitos lugares do continente africano e indiano, hoje em dia, ainda é assim.

Outro fator importante a ser considerado ao comparar duas pessoas dentro de uma mesma sociedade e cultura, seria a faixa etária. Uma criança no Brasil, por exemplo, não pode sair para trabalhar, assim como um adulto, não pode dirigir e nem votar. Há um sistema de leis determinado pela cultura do país que a impede de realizar certas tarefas, sendo assim ela não exercerá total papel em sua cultura.

Na limitação física é evidente que é algo natural, pois o desenvolvimento do corpo é um processo definido, agora a questão da idade é algo cultural, pois foi arranjado assim para organizar melhor os papéis da sociedade. Porque, por exemplo, uma pessoa pode casar e ir a guerra com 18 anos, mas não pode gerenciar seus próprios  bens antes dos 21? Qual é o argumento para que uma pessoa possa ser eleita senador com 35 anos e não com 34 anos e 11 meses?

Não existe nenhuma maneira não arbitrária para se definir as fases da vida, algumas tribos, por exemplo, separam faixa etária feminina pela menstruação, ainda que possa discutir se uma menina de 12 ou 13 anos esteja apta a ser considerada adulta.

Em qualquer sociedade não há indivíduos que consiga dominar todos os aspectos da mesma, por exemplo, Einstein era um gênio da física, mas era violinista medíocre.

O individuo, porém deve ter um mínimo de conhecimento de sua cultura para poder articular com os demais membros da sociedade. Todos precisam saber como agir em certas situações e, também, prever o comportamento dos outros para que haja um controle da situação e mesmo assim pode haver desarranjos, pois “em nenhuma sociedade todas as condições são previsíveis e controladas”. O conhecimento mínimo, porém, ajuda na sustentação da ordem social.

Existe um exemplo na história de Biboi e os índios Mundukuru, que entraram conflito depois que ele foi colocado em um cargo de liderança, porém não conhecia a cultura local e por se achar superior aos membros da tribo, foi arrogante e tomou decisões que desagradaram a população como o de se casar com duas mulheres. No final ele teve que escolher entre o exílio ou a morte, escolheu o primeiro.