Etnocentrismo x Relativismo cultural No Brasil

Nosso país é composto por uma infinidade de grupos étnicos e culturais que compõe a nossa sociedade, inúmeras tradições europeias, asiáticas e africanas foram e ainda são passadas nos meios familiares. Essa grande gama de cultura e tradições trouxe ao brasileiro um rico, porem conflitoso, meio cultural.

  Embora com a diversidade cultural que possui, o Brasil em sua origem foi um país etnocêntrico. A desvalorização de crenças e meios de expressão ocorre com os povos que foram escravizados ao longo de nossa historia. Esse modo de pensar veio com os portugueses quando chegaram aqui e encontraram os índios. Com uma cultura “atrasada” aos olhos europeus, eles sentiram-se no direito de impor sua cultura “avançada” sobre as tribos, em parte para dominá-las mais facilmente, em outra para assegurar que sua própria cultura não fosse destruída ou alterada pelos costumes nativos. O mesmo pode se dizer dos escravos africanos que foram trazidos para a colônia, porém, tenham sido e ainda são perseguidos por sua cultura e costumes. Em muitos lugares do país a perseguição a índios e negros que praticam suas tradições é alarmante.

  A desvalorização da cultura dos dominados trouxe uma forma muito discreta de etnocentrismo para o país, a do “para inglês ver”, onde nossa rica e valiosa cultura é mostrada como um espetáculo do exótico e do diferente, mas válida apenas na forma de entretenimento, não respeitado em nível de cultura e tradições de um povo.

 Porém, nem tudo está perdido, em grandes metrópoles como São Paulo há uma gigantesca miscigenação cultural. Onde podemos observar as tribos indígenas que atribuíram diversos costumes exteriores ou a própria população brasileira que os absorveu de maneira que não temos mais uma cultura própria. A nossa cultura parte do princípio relativista, que surgiu do convívio mútuo com outras, mas está longe de ser o ideal, um exemplo disso é quando um evangélico vê um trabalho fruto de espiritismo, e grita “É coisa do Diabo”, sem ao menos se aprofundar no que aquela religião diferente proporciona aos envolvidos, o jugando como maligno. Embora, o próprio espiritismo tenha absorvido santos católicos e/ou vice versa. Não estamos nem próximos do relativismo religioso.

O relativismo social surgiu após estudos comparativos de uma sociedade/cultura com a outra, não querendo mostrar superioridade e sim compreender a diversidade da sociedade e culturas como um todo. No Brasil o relativismo social conseguiu sair parcialmente do papel, pois varias culturas misturaram-se em diversos seguimentos como as artes. Musicas de origem africana misturarem-se com as de origem europeia e norte americana. Nosso país se tornou especialista em misturar batidas e sons de diversos povos para fazer uma nova sintaxe de ritmos.

  Embora em nível social ainda ha muito preconceito e ignorância, no nível artístico ha uma mistura de gêneros e gostos, pode parecer supérfluo, mas já mostra que o relativismo cultural não funciona apenas no papel e sim na prática. Deveríamos deixar o pré-conceito (proposital) colonial que nos está intrínseco para trás e expandirmos nossa já rica cultura em novos modos.

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