A Cultura interfere no plano Biológico

Segundo o livro “Cultura um conceito Antropológico” escrito por Roque de Barros Laraia, a cultura interfere em nossas vidas tanto positivamente, quanto negativamente, em vários aspectos, inclusive no plano biológico. Ao contrário do etnocentrismo, temos a indiferença que se manifesta quando um grupo ou indivíduo perdem a crença em certos costumes e valores, perdendo a motivação de se manterem vivos e unidos. Alguns exemplos são como as dos africanos, que foram forçados a deixar as suas terras, e tendo que acostumar se com outros costumes, tipo físicos, línguas totalmente diferentes, e acabaram perdendo suas motivações de viver, cometendo suicídio e definhando pelo mal chamado de banzo (saudade). E os Kaingang (tribo indígena) que aconteceu algo semelhante, em torno de 1912 quando perdeu uma parte de seus membros, devido seu território ter sido invadido pelos construtores da Estrada de Ferro Noroeste.

A cultura não só influi o comportamento de um indivíduo, mas como também sua fisiologia através de sua forma de pensar. Deparar-se com uma maneira de agir ou uma cultura diferenciada pode acarretar em apatia, desestímulo, falta de emoção e entusiasmo e até no abandono de sua crença, que geralmente é o que mantem o indivíduo vivo. A cultura define o que o ser é, e, muitas vezes, é tudo o que ele tem, é a razão de sua existência.

Trazendo este tema para a nossa atualidade, acreditar que beber leite e consumir manga em seguida faz mal para o organismo, acaba por influenciar as pessoas a não ingerirem esta combinação por julgar que isto realmente iria lhes causar algum malefício, ainda que tenham conhecimento das comprovações cientificas. Sentir fome ao meio dia é outro comportamento determinado pela cultura, pois ainda que se tenha comido bastante e pouco tempo antes, sente-se fome na “hora do almoço”.

Como visto anteriormente, o comportamento das pessoas dentro de uma sociedade, é condicionado por sua cultura. Uma criança não nasce agindo de determinada forma por questões genéticas ou hereditárias, mas sim, porque reproduz o que as pessoas de sua convivência realizam. Em relação às questões biológicas, a intervenção da cultura é direta, podendo definir questões sobre a vida e a morte.

         

    Os indivíduos participam diferentemente de sua cultura

 

Os indivíduos não participam de uma forma padronizada em sua cultura, vários fatores são levados em consideração, como sexo, idade e etc. Portanto, ninguém é capaz de participar integralmente de sua cultura.

Em algumas sociedades a mulher é submissa ao homem, por exemplo, restringindo sua aptidão a realizar certas tarefas. Voltando alguns anos no tempo, também era da cultura brasileira, manter as mulheres cuidando da casa enquanto os homens é que saíam para trabalhar fora. Em muitos lugares do continente africano e indiano, hoje em dia, ainda é assim.

Outro fator importante a ser considerado ao comparar duas pessoas dentro de uma mesma sociedade e cultura, seria a faixa etária. Uma criança no Brasil, por exemplo, não pode sair para trabalhar, assim como um adulto, não pode dirigir e nem votar. Há um sistema de leis determinado pela cultura do país que a impede de realizar certas tarefas, sendo assim ela não exercerá total papel em sua cultura.

Na limitação física é evidente que é algo natural, pois o desenvolvimento do corpo é um processo definido, agora a questão da idade é algo cultural, pois foi arranjado assim para organizar melhor os papéis da sociedade. Porque, por exemplo, uma pessoa pode casar e ir a guerra com 18 anos, mas não pode gerenciar seus próprios  bens antes dos 21? Qual é o argumento para que uma pessoa possa ser eleita senador com 35 anos e não com 34 anos e 11 meses?

Não existe nenhuma maneira não arbitrária para se definir as fases da vida, algumas tribos, por exemplo, separam faixa etária feminina pela menstruação, ainda que possa discutir se uma menina de 12 ou 13 anos esteja apta a ser considerada adulta.

Em qualquer sociedade não há indivíduos que consiga dominar todos os aspectos da mesma, por exemplo, Einstein era um gênio da física, mas era violinista medíocre.

O individuo, porém deve ter um mínimo de conhecimento de sua cultura para poder articular com os demais membros da sociedade. Todos precisam saber como agir em certas situações e, também, prever o comportamento dos outros para que haja um controle da situação e mesmo assim pode haver desarranjos, pois “em nenhuma sociedade todas as condições são previsíveis e controladas”. O conhecimento mínimo, porém, ajuda na sustentação da ordem social.

Existe um exemplo na história de Biboi e os índios Mundukuru, que entraram conflito depois que ele foi colocado em um cargo de liderança, porém não conhecia a cultura local e por se achar superior aos membros da tribo, foi arrogante e tomou decisões que desagradaram a população como o de se casar com duas mulheres. No final ele teve que escolher entre o exílio ou a morte, escolheu o primeiro.

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