Notas sobre Relativismo Cultural

A cultura situada em diferentes sociedades, possui lógicas próprias, fazendo com que cada uma tenha sua própria identidade. Porém, desde o início dos tempos, cada povo declara a sua cultura como padrão a ser seguido e até mesmo declarando irracionalidade nos demais. De acordo com esta reflexão distorcida, a opressão é o próximo passo.

Servindo como exemplo o período colonial, do qual os nativos/índios foram classificados como selvagens pelos portugueses, tal dedução que veio a partir da estrutura cultural dos índios. Outro exemplo seria durante o período da República do café com leite, onde a exportação do café estava em alta e o governo alegava que  Brasil precisava passar boa impressão pra o mundo; com isso deu-se início ao processo de branqueamento, do qual imigrantes europeus vinham para o país com o intuito de trabalhar nas fazendas de café. Já a população afro-brasileira(a grande maioria), foi sendo alojada em áreas de baixa estrutura, formando assim as favelas e com isso, criando uma outra cultura, sendo caracterizada pelo resto da sociedade como uma cultura inferior, por mais que seja lógica.

Cultura é tudo aquilo que envolve conhecimento, arte, crenças, costumes, leis. Hábitos ou até mesmo capacidades, adquiridos pelo homem quanto membro do meio em que está inserido.

Um sistema cultural pode ser entendido como um ato de etnocentrismo. Todos apresentam sua própria lógica, porém, cada um acredita que seu próprio sistema é o mais lógico e, portanto deve ser considerado o único correto. A coerência de um hábito cultura pode ser apenas avaliada de dentro, pois aos olhos de outro sistema seria considerado ilógico, irracional, apenas por ser diferente. Tudo que é diferente de seu costume, é errado. Um pensamento automático que não nos permite muitas vezes ter uma outra visão das coisas naturais.

Diante de uma organização social que dispõe de aparatos tecnológicos e informação dentro do nosso meio, ouvir que o sol morre no Oeste e nasce no Leste todos os dias porque “Ele volta apagado durante à noite” é quase absurdo, mas mais que absurdo, é uma noção completamente diferente de mundo, inserida em um outro ambiente cultural. Tal reflexão é lógica para uma pessoa que obtém suas conclusões a partir de uma observação direta, pura usando apenas da sensação que se tem para definir algo como lógico.

Apesar de cada sociedade ter sua própria forma de pensar e agir, não significa que nada muda em seu ambiente. Há uma série de fatores que interferem em um meio, fazendo com que a cultura de um povo seja dinâmica.

Vivemos em um mundo onde, cada classe de seres vivos possui maneiras, comportamentos, costumes, ou seja, culturas diferentes umas das outras. Considerando a comparação de uma sociedade simples, no caso das formigas saúva e uma tribo indígena, é possível afirmar que as duas possuem ritmos de evolução diferentes. Afirmação essa negativa, visto que enquanto o homem está em constante evolução por ter a capacidade de questionar seus próprios hábitos e também modificá-los, as formigas seguem o padrão de suas antecessoras, dando a impressão de estarem sempre estáticas. Uma tribo indígena por exemplo, consegue ter uma evolução, mesmo que lenta; isso porque eles estão satisfeitos com o que conquistaram e se viram perfeitamente com o que têm. Mas há suas exceções, como por exemplo a substituição que fizeram do machado de pedra(sabiam há anos a ineficácia deste) para o nosso de aço.

“Qualquer sistema cultural está num contínuo processo de modificação.” Afirmam os autores no Manifesto de aculturação, consequência de um seminário realizado na Universidade de Stanford, em 1953. Com base nessa afirmação, podemos dizer que todas as culturas de mobilizam e evoluem, sendo interna (troca de informações entre a própria sociedade) ou externamente (dinâmica com outras culturas). No primeiro, o processo de evolução é bastante lento, porém, acontecimentos históricos como catástrofes, tecnologias avançadas, o processo tende a acelerar. No segundo caso, é um mix de informações, de costumes. Uma troca entre culturas diferentes. É o mais atuante nas sociedades humanas, pois, sem troca de informações, nenhuma cultura é capaz de se desenvolver apenas com as trocas internas.

As mudanças culturais provenientes de causas externas constituem-se as mais relevantes do ponto de vista da interferência que exerce dentro de determinada sociedade, pois a ideia de existir um sistema cultural que receba apenas influência interna é quase inexistente, pois para isso seria necessário considerar que um grupo viva no total isolamento.  Devido a sua importância e grau de interferência, foi criado o conceito de aculturação.

Tanto as grandes quanto as mais sutis interferências estão ligadas ao caráter dinâmico da cultura, mas para entender o grau de influência é interessante que se faça o exercício de observar as pequenas mudanças, de modo que por um momento deixemos de lado as grandes transformações ocorridas nos campos da política e tecnologia.

Pequenas mudanças como o simples fato de um jovem nos dias de hoje não ser capaz de compreender todo o ritual que envolvia um baile na década de 50, onde o rapaz precisaria atravessar o salão e convidar a senhorita para dançar, constitui um claro exemplo de como as gerações são diferentes umas das outras.

Muitas coisas mudaram da segunda metade do século passado aos dias de hoje, sendo possível ver uma jovem fumar em público sem que seja hostilizada ou taxada de subversiva nos dias atuais, muito diferente do que ocorria com as mulheres daquele tempo. É por esse motivo que o tempo representa parte importante na observação das interferências e transformações culturais.

Toda mudança passa por um momento em que enfrenta resistência, pois para que jovens mulheres possam fumar sem constrangimento hoje em dia, foi preciso que antes delas outras mulheres tivessem coragem de suportar forças contrarias, tais como preconceito e qualquer outra forma de discriminação.

Devido ao fato do Homem ser capaz de questionar a sua realidade, as sociedades na grande maioria das vezes “são palcos do embate entre as tendências conservadoras e as inovadoras.” Já que sempre existe uma resistência a mudanças de costumes e hábitos culturas.

Sendo assim, os sistemas culturais estão em constante mudança, e compreender essa dinâmica é importante para evitar preconceitos e conflitos entre diferentes gerações.  Não só entender as transformações externas é importante observar as transformações que acontecem internamente, só assim é possível lidar com elas sem grandes prejuízos.

 Para uma compreensão completa do tema, recomendamos este vídeo:

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s